Alfredo Jaar (1956-) é um artista, cineasta e arquiteto chileno que atualmente vive em Nova Iorque (EUA). Pontuando questões sociais e políticas em suas obras, Jaar transforma a arte em um instrumento de enfrentamento contra a invisibilidade das truculências que ocorrem ao redor do mundo, mas nunca – ou pouco – são mostradas.
Unindo instalações e fotografias, Alfredo Jaar já utilizou a sua arte para a denúncia de importantes acontecimentos como o massacre ocorrido em Ruanda no ano de 1994 (‘Projeto Ruanda’ – 1994-2000) e a exploração de mineradores na Amazônia e em Serra Pelada (‘Oro en la mañana’ – 1986).
O artista, reconhecido internacionalmente, já realizou mostras em Nova Iorque, Londres, Roma e Berlim. Suas composições podem ser vistas como parte do acervo permanente em museus de Nova Iorque, Chicago e Los Angeles; no MASP em São Paulo; em Londres, Japão, Berlim, Amsterdam, Paris, Estocolmo, Roma e Hong Kong.
A mostra “Lamento das Imagens”, presente no Sesc Pompéia (São Paulo) é um desdobramento da 34ª Bienal de São Paulo, que também aborda a arte de Alfredo Jaar (1956-). Ambas as exposições apresentam o teor político das obras do artista, testemunha ocular de ações desumanas que percorreram o fim do século XX e o início do XXI.
Ambas as exibições também trazem a perspectiva dada pelo artista para a literatura de importantes pensadores políticos, como Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e Antonio Gramsci (1891-1937). Há ainda a presença de cartazes cuja tendência é imergir o visitante em uma reflexão a respeito do acelerado modo de vida dos tempos atuais.
Atrás da beleza das composições de Alfredo Jaar, há sempre uma questão política existente. A obra ‘Um milhão de pontos de luz’ (2005), por exemplo, foi realizada no oceano Atlântico de Angola em direção ao Brasil e resgata a reverberação da escravidão em ambos os continentes. Tanto a exposição “Lamento das Imagens” quanto a Bienal de São Paulo podem ser visitadas até o dia 5 de dezembro de 2021.
