O Museum Of Modern Art (MoMa), localizado em Nova York, abre suas galerias para a exposição “Projects: Tadáskía”, da artista plástica brasileira Tadáskía (1993 – ), carregando a marca de ser a primeira exposição da artista nos Estados Unidos. A coleção de obras inclui suas esculturas, desenhos e a obra principal “Ave Preta Mística”, livro publicado em 2022, onde através da junção de seu trabalho a artista destaca principalmente a improvisação. Dessa forma, com suas multicores e marcas dinâmicas, transmite a sensação de fluidez que está explicitada em seus desenhos.
A exposição é uma colaboração com o Studio Museum in Harlem, apresentando trabalhos recentemente adquiridos pelo MoMA, e carrega consigo o compromisso no qual os museus buscam: Dar espaço significativo para artistas de ascendência africana. O projeto conta com esculturas feitas no museu e um grandioso desenho de parede, na qual o grande público pode participar ativamente da mostra com espaços de criação de arte complementando a obra da artista.
“Projects: Tadáskía” iniciou-se no dia 24 de maio de 2024, tem previsão para ser encerrada no dia 14 de outubro. Sob a curadoria de Thelma Golden e Ana Torok, a mostra pode ser visitada todos os dias da semana das 10:30 até às 17:30, possuindo horário estendido até as 19h aos sábados. Os ingressos podem ser adquiridos no site do museu, variando seus valores entre 17 e 30 dólares, além de entrada gratuita para membros e menores de 16 anos.
Conhecida por sua multidisciplinaridade, Tadáskía é uma artista, negra e trans que mobiliza diferentes mídias e materiais, como desenhos, esculturas, fotografias, instalações e tecidos, para comunicar temas variados que circundam suas experiências, bem como elaborar, dentro de narrativas intimistas e afetivas, temas emblemáticos como a diáspora negra em torno de encontros familiares e estrangeiros. A carioca, formada em Artes Visuais pela UERJ (2012-2016) e mestra em Educação pela UFRJ (2019-2021), conta que se aproximou da arte enquanto estudava e frequentava a igreja evangélica, de modo que passou a se reconhecer como artista aos 18 anos.

Hoje aos 30 anos, já realizou as exposições individuais “Noite Dia” (2022) em São Paulo, “As Parecidas” (2023) em Lisboa e “Rara Ocellet” (2023) em Barcelona. Também foi indicada ao prêmio PIPA em 2020 e 2023. Em entrevista para a revista Exame, publicada em Junho de 2024, Tadáskía reflete sobre a grande importância que a Arte que produz tem em sua vida: “Hoje em dia, faço desenho até quando estou triste; já desenhei chorando; sentindo um vazio; outras vezes desenho totalmente agradecida; sorrindo; apaixonada; dedicando o que faço ao meu amor desconhecido”.
Dentre suas referências, ela menciona Äline Besourö, Ana Claudia Almeida, Sabine Passareli, Gilson Plano, Jota Mombaça, Ventura Profana, Castiel Vitorino Brasileiro, Anarca Filmes, Linn da Quebrada e Liniker. Além disso, a escritora e poeta Audre Lorde (1934 – 1992) é uma de suas maiores inspirações. Através da luta feminista da autora e suas discussões sobre raça, Tadáskía pontua: “(…) é um sentimento de estar aqui nesse mundo e ao mesmo tempo vivendo uma realidade paralela, com a qual atravesso a violência racial, econômica e de gênero para assim imaginar algum alívio entre uma coisa e outra”.

Dentro das obras expostas na exposição “Projects: Tadáskía”, está presente de forma potente a instalação “Ave Preta Mística” (2023), exposta em primeira mão em “Coreografias do Impossível”, na 35ª Bienal de São Paulo. Composta por 61 páginas soltas de um livro bilíngue, expõe a relação íntima que se materializa entre o desenho e a escrita. A partir de desenhos expandidos, que também se tornam intuitivos, a instalação propõe envolver completamente o ambiente no qual está instalada – com desenhos feitos a partir de carvão e papel seco, acabam por se fundir com o espaço da galeria e assim, reverberando os pensamentos de Tadáskía (1993 -) sobre seu próprio corpo e a coleção.

Tadáskía nunca define explicitamente o significado do pássaro, mas a partir de referências e símbolos afro-diaspóricos pode-se entender o pássaro como um símbolo de liberdade, expressão e personalidade negra. Segundo declaração da artista, an ave preta mística é uma população negra reunida além do tempo-espaço conhecido. Livre interpretação de Sankofa, um pássaro preto olhando para trás com um ovo em seu bico. Mística, a ave preta se transforma, tal como na ampliação de seus voos, nos mostrando um desejo incansável de liberdade.
Na Bienal de São Paulo, o significado e simbolismo de seu trabalho são facilmente colocados em um contexto de um futuro e passado afro-indígenas, mas em Nova York serão seguidos outros caminhos e novas conversas surgirão. As temáticas da artista sobre herança, experiência pessoal e simbologia afrodiaspórica se unem em espaços singulares e dinâmicos que transcendem o mundo material, convidando os espectadores a explorarem as profundezas de sua consciência coletiva, ao mesmo tempo que viaja por caminhos de imaginação, memória e identidade cultural. Tadáskía leva consigo à Nova York não apenas a história de um pássaro místico, mas também uma mensagem de resiliência, imaginação e liberdade.
